Saturday, October 08, 2005

15 dias diferentes...


Fazem hoje exactamente 15 dias desde que abandonei o meu doce lar do também meu saudoso Algarve. Foram porventura os 15 dias mais cansativos, os 15 dias mais divertidos, os 15 dias mais loucos desta pequena vida que fazendo-se à aventura decidiu emigrar para Coimbra com a mala carregada de sonhos e expectativas.
Tanta coisa tenho a contar acerca destas duas grandes semanas, não só no plano pessoal como no plano arqueológico. Começando pelo primeiro tenho a dizer que o saldo até agora tem sido positivo, fora as confusões de secretaria já tipícas neste "burro"crático Portugal só tenho coisas boas a dizer sobre tudo o que envolve o espírito "coimbreiro". Em 15 dias conheci pessoas espectaculares, sempre prontas a ajudar que falam contigo em tudo o que é lugar, e nisso é em tudo diferente deste belo Algarve. Em Coimbra conheci pessoas nos autocarros, nas paragens de autocarro, nos supermercados, em filas de secretaria, em filas de cantina, em suma em Coimbra conhece-se gente em tudo o que é lugar, alguma vez no Algarve as pessoas são assim? Em duas semanas a minha lista telefónica duplicou e isso diz tudo... No meu Algarve há dificuldade em dizer um "bom dia", quanto mais em se abrir e tentar conhecer uma pessoa que nunca se viu na vida...
Tive a sorte ou azar de ter de ficar em Coimbra nos dias seguintes à matricula quando todo o pessoal foi para casa, por um lado foi bom porque isso fez com que eu me integrasse logo no espírito estudantil mas por outro a solidão fez-me recordar a família, os amigos e amigas, a minha cadela, fez-me lembrar que em certos momentos podia ter agido de outra forma, podia ter aproveitado mais os tempos antigos mas isso deu-me força e a prova disso é que durante a semana seguinte essas lembranças acabaram e foi só divertimento. No que toca às praxes não tenho sido vitima de grandes actos, tem sido tudo na base do divertimento embora a diferença de Coimbra em relação a outras universidades é que a praxe é durante todo o ano, até à esperadissima queima, por isso há que aguardar para não tirar conclusões precipitadas. Agora uma coisa tem de ser dita, em Coimbra sente-se a ancestralidade do espírito que rodeia todo o ambiente académico, e acreditem ou não isso conta muito para ficarmos apaixonados pela cidade do Mondego.
Quanto ao plano académico/arqueológico ainda tenho pouca coisa a dizer, até agora só conheci 3 profs. ou melhor três doutores, 1 muito porreiro, outro porreiro e outro assim assim. Sinto-me muito entusiasmado com todas as cadeiras, vou aprender tudo aquilo que sempre sonhei aprender, acho por isso, que vou ter pela primeira vez gosto pelo estudo... Espero daqui a umas 2 semanas já puder falar mais concretamente sobre a qualidade do ensino "arqueológico" na UC.
Resta-me dizer que Coimbra além da cidade do conhecimento é a cidade das borgas, apercebi-me disso à cerca de 1 semana. Há que ser equilibrado... nem muito nem pouco, é isso que estou e vou tentar fazer já que não quero perder o rumo dos meus sonhos...

Monday, September 19, 2005

O que já todos sabiamos...



" O Iraque, arrasado após anos de guerras e de sanções, continua a ser tão rico em maravilhas arqueológicas que um especialista da área disse acreditar na necessidade de reescrever todos os livros sobre o assunto na próxima década. À medida que as condições de segurança melhoraram, permitindo a realização de escavações, foram encontrados indícios de que uma sociedade avançada que surgiu na região muito antes do que se pensava, afirmou John Russell, professor de arqueologia da Faculdade de Artes de Massachusetts, em Boston (EUA).''Uma década de pesquisas no Iraque pode determinar, sem dúvida, a reelaboração dos livros de arqueologia'', disse Russell, que trabalha actualmente como conselheiro do Ministério da Cultura do Iraque.
As declarações foram dadas na quinta-feira, dia em que foi inaugurado um novo laboratório de restauração e conservação no Museu Nacional do Iraque, em Bagdá. ''Há um montante fenomenal de história neste país e grande parte dele ainda precisa ser descoberto. Mas isso acontecerá ao longo do tempo, e teremos de repensar o que sabemos hoje''. Em 1989 e 1990, Russell comandou escavações em Nineveh(Niníve), a antiga capital do império assírio, que fica perto de Mossul, à margem do rio Tigre (norte do Iraque). Naquele período, contou o especialista, a equipe fez descobertas que jogaram para trás, em mil anos, a linha do tempo da civilização antiga. ''Houve descobertas sem precedentes. Era incrível. Mas o Iraque é assim'', afirmou. O país abarca com suas fronteiras à antiga Mesopotâmia, área entre os rios Tigre e Eufrates apontada como o berço da civilização.

O especialista espera também que o Museu Nacional, saqueado pouco depois da derrubada do ex-ditador Saddam Hussein, seja reaberto nos próximos meses. ''Esse é um dos maiores museus do mundo'', afirmou. ''Esperamos transformá-lo em um verdadeiro instituto de pesquisa que atraia historiadores e arqueólogos de todo o mundo''. "

Artigo retirado da revista/site brasileiro Terra Notícias


Falta agora saber o espólio que, ilegalmente, será levado para território americano... já que como sabemos, o palhaço-mor G. Bush não perde uma.

Tuesday, September 13, 2005

Arqueologia Subaquática no Arade


ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA – PRO ARADE 2005

No primeiro post a sério desde novíssimo blog tentarei dar a conhecer uma das actividades arqueológicas que ocorreram neste Verão aqui no Algarve, já que nesta região não só se destrói património histórico de valor para construir campos de golf, aqui também se preserva o património e as campanhas de Alcalar e no Rio Arade são prova disso mesmo.
Tenho a certeza que quem é cá da região já ouviu com certeza falar na Missão Pro Arade, expedição arqueológica ao fundo do Rio Arade, tanto mais que passou nas televisões nacionais. De qualquer forma para quem andou menos atento e para quem é de fora e não viu a reportagem na SIC aqui fica um pequeno resumo do que “foram e são” estas expedições ao fundo do Rio Arade. Este post serve também como homenagem a todo o pessoal do Museu Municipal de Portimão, especialmente e neste caso à malta da subaquática que trabalhou neste projecto.
Em meados dos anos 70, na sequência de algumas dragagens ao belíssimo rio Arade foram encontrados dois barcos de madeira, o Arade 1 e Arade 2. Sabe-se hoje que o Arade 1 é suposto datar-se da primeira metade do século XVI português, nada mais nada menos do período áureo da epopeia marítima portuguesa. A juntar a isso advêm o facto de conhecer-se muito pouco da forma de construção deste tipo de embarcações. Estava assim constituído o cenário para uma prospecção séria e determinada que viesse a fornecer dados objectivos e de elevado interesse para a arqueologia nacional e porque não ibérica.
Porém, com o passar dos anos, o Arade 1 acabou por desaparecer e a reaparecer várias vezes até que em 2001 num projecto conjunto o CNANS, o IPA, juntamente com o Grupo de Estudos Oceânicos e o Museu Municipal de Portimão levaram a cabo uma campanha com o fim de reconhecer potências áreas arqueológicas no leito do rio re-localizando desta forma o Arade 1 e o Arade 2. Assim, com áreas de acção bem definidas os anos seguintes viram nascer uma séria de campanhas arqueológicas ao fundo do rio com o fim principal de levantar das águas os dois barcos medievais. Se bem me lembro do que me contaram no Museu o Arade 1 vem sendo retirado desde 2002 tendo este ano ocorrido mais uma campanha denominada de Pro Arade 2005. As partes de madeira do barco encontrado vão sendo gradualmente enviadas para os tanques especialmente preparados nas instalações do CNANS, em Lisboa. Ao mesmo tempo, já está a ser feito o trabalho de registo e arqueografia.
O objectivo final de todo este trabalho, para lá da pura e dura investigação científica, passa pela construção futura de «uma réplica do barco à escala natural, para ser colocada no futuro Museu de Portimão. Faço votos para que assim seja: que o Museu esteja mesmo pronto em 2006 e para que o barco seja reconstruído o mais rápido possível, assim que as condições da madeira o permitirem.

Monday, September 12, 2005


Ainda eu era viciado no Dragon ball e na Navegante da lua (triste passado) e já gostava de arqueologia. Não sei se era bem arqueologia, talvez fosse mais de história, mas também é certo que já tinha aquele bichinho pela descoberta, pela busca de respostas, em suma, pela aventura. Com o passar do tempo o gosto foi-se mantendo já que nunca pensei em ser outra coisa, era uma forte convicção a que me fazia querer estudar o passado e é com essa determinação que continuo a perseguir o sonho de ser arqueólogo. Para quem não me conhece espero entrar este ano para a famosa Universidade de Coimbra com a ideia de ao fim de 4/5 ter o canudo na mão e pensar noutros voos... (assunto para posts futuros). Entretanto com o passar dos anos fui aprendendo que a arqueologia não é como nos filmes do grande Indiana, é ligeiramente, para não dizer enormemente diferente. Até posso adivinhar que será essa a primeira coisa que um professor na universidade me vai dizer... é pena pois apesar de estar de acordo também há coisas no Indiana que um arqueólogo nunca devia esquecer (mais assunto para posts futuros).
Bom... quanto ao blog, espero que ao fim de 1 anito já tenha algum público fiel, prometo que vou fazer por isso! Podem contar com notícias de descobertas, algumas opiniões sobre assuntos de história, comentários sobre acontecimentos de destaque... desabafos... e tudo e tudo e tudo. A arqueologia é muito mais que uma fome por respostas, é acima de tudo uma busca incessante de sonhos tangíveis.